Exercício dos 30
para os meus mortos
Lembrou-se de dormir durante a festa com palhaços que seus pais fizeram em seu primeiro ano.
De brincar com o cachorro no quintal de sua casa.
Dos fungos que cresciam entre as lajotas deste quintal.
De comer fatias de ameixada.
De vestir-se de pirata para subir no muro que era seu navio.
Do cheiro da clínica ao chegar com a cabeça estrupiada depois de um tropeção na escada.
De ver os médicos dançando no teto.
De pensar que tinha morrido.
De ver os primos todos brincando no cemitério enquanto era enterrado.
Mas ele não tinha morrido.
Carlos é que morreu.
Quarta-feira, Outubro 31, 2007
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para Marina Lima, Antônio Cícero, Carla Camurati e Luciano Figueredo
- Já disse. Não.
- Claro que não!
- Nanananananana...Não!
- Alô. O quê? Não!
- Hmmmmmm...Não. Ah! Não.
- Por que não?
- Não. Isso não...
- Não, não e não
- Não, nem pensar.
- Tudo bem, mas é melhor não.
- Não, eu sinto que não...
- Claro. Valeu. Mas não tá...
- Não, agora não
- Não, não, não, não e não, isso de novo não!
- Não! por favor não
- Não, ainda não.
- Já disse, não.
Alguns "nãos" que tive que dar para sobreviver
ps: Não!
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Domingo, Outubro 28, 2007
E eu continuo achando que, nos dias de chuva, o asfalto e as telhas são coisas mais bonitas do mundo.
Ainda me transformo em um deles.
Nem que para isto tenha que me enfiar debaixo de um caminhão ou pular da janela do edifício.
(Na tentativa de virar asfalto, encontrei a lama)
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A hora e a vez de destruir sonhos
Se você tinha entre cinco e dez anos no começo dos anos oitenta e adorava ver e ouvir as histórias que Gigi Anhelli contava no quadro “Quem Quiser Que Conte Outra”, no programa infantil “Bambalalão” da TV Cultura, pense bem antes de continuar a ler este post: seus sonhos podem ser destruídos. Da minha parte, não tive outra escolha. Depois de visitar a 4º Bienal de Gravura, em cartaz no Paço Municipal de Santo André, fui arrastado por minha sobrinha de 4 anos até a biblioteca para ver alguns livros de bruxas: ela queria ter idéias para fazer a sua fantasia de Halloween. A inspiração não poderia ser mais aterrorizante. Ali mesmo, no meio da biblioteca, estava começando o show de Gigi e seu velho companheiro Xyss...
leia tudo em: http://fanzineurbano.blogspot.com/2007/10/hora-e-vez-de-destruir-sonhos.html
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Quarta-feira, Outubro 24, 2007

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Segunda-feira, Outubro 22, 2007
Equilibro meu tempo entre interno e externo.
Em breves períodos me lanço para fora
Vazio de mim, freqüento camas e cotidianos
Como engulo a pílula de lexapro, por mera distração.
Sem me envolver, transito em massa amorfa
De óculos escuros e pés anestesiados
Até o fim do efeito.
Depois volto, em tempos mais longos, a visitar-me
Dentro deste quarto, uma bagunça de mim mesmo
Volta a ser reorganizada.
Vou jogando fora o que não quero
Lembranças vão sumindo do armário. E de mim
Até conseguir atingir a solidão total e geral: minha busca maior.

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Quinta-feira, Outubro 18, 2007
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